Painel da ESPM no Brasil: A fiscalização deve ter como alvo influenciadores e provedores de internet, não apenas operadores de apostas

O terceiro painel do evento da ESPM examinou os desafios da fiscalização estadual, com especialistas destacando a proteção do consumidor e a responsabilidade da plataforma.
Pontos-chave:
– Painel da ESPM explorou a fiscalização estadual no mercado de apostas digitais do Brasil
– O promotor alertou sobre os riscos do jogo para crianças, mencionando o alcance de menores nas redes sociais
– Palestrantes pediram responsabilidade conjunta entre operadores, influenciadores e plataformas
A ESPM São Paulo, uma das principais universidades do Brasil em comunicação, organizou um evento dedicado à regulamentação de apostas, proteção ao consumidor e fiscalização.
A terceira discussão do dia, “Apostas online e fiscalização estadual”, contou com Yuri Corrêa da Luz, procurador federal em São Paulo e professor de Direito Penal; Gabriel Hillen, juiz federal e especialista em Direito Penal Econômico; e Fernando Gonçalves, advogado e especialista em direito corporativo e econômico.
O painel foi moderado por Joana Siqueira, professora de Direito Penal da ESPM e advogada com mestrado em Direito Penal Econômico.
Os palestrantes sublinharam os riscos decorrentes da supervisão inadequada do conteúdo de apostas on-line, especialmente quando vinculado a influenciadores.
Gonçalves enfatizou que tanto as operadoras quanto os consumidores se beneficiam quando a ilegalidade é combatida de forma eficaz, acrescentando que as empresas devem exercer controle prévio sobre o conteúdo publicitário e que os influenciadores também devem se responsabilizar ao promover apostas para públicos vulneráveis.
Luz apontou a fragilidade de crianças e adolescentes no Brasil, observando que 83% têm acesso às mídias sociais e estão expostos a conteúdo de jogos de azar.
Ele alertou que essa exposição pode levar a consequências graves, incluindo depressão e danos financeiros, enfatizando que plataformas e operadoras compartilham a responsabilidade de evitar violações dos direitos de crianças e adolescentes.
A juíza Hillen expressou essas preocupações, destacando que a contratação de influenciadores cujo público é predominantemente menor de idade pode indicar intenção, reforçando a responsabilidade do operador.
É bom saber: o Brasil está considerando um imposto retroativo sobre operadoras de apostas
O painel concluiu que plataformas, operadores e reguladores devem trabalhar juntos para criar mecanismos, como canais de reclamações e controles algorítmicos, para garantir a conformidade e proteger grupos vulneráveis.
Ao final do evento, o professor Siqueira disse, em um comentário exclusivo à Gaming America, “a fiscalização estadual deve ter como alvo não apenas os operadores de apostas, mas também outros atores envolvidos no setor, como provedores de serviços de Internet e influenciadores digitais. ”