Kalshi vs. Polymarket: como a aparição de Cardi B no intervalo do Super Bowl testou os mercados de previsão
Os traders de mercados de previsão que apostaram numa aparição de Cardi B no show do intervalo do Super Bowl LXacordaram hoje com duas realidades bem diferentes. Enquanto a Polymarket liquidou o evento como “Sim” para todos os detentores, a Kalshi acionou uma regra de emergência para emitir uma liquidação parcial com base nos preços antes da pausa. Como resultado, a decisão desencadeou uma reclamação formal junto à Commodity Futures Trading Commission (CFTC).
O conflito do “microfone”
Embora Cardi B tenha aparecido no palco numa sequência coreografada, ela não cantou ao vivo nem tocou instrumento. Por isso, o detalhe gerou uma guerra de liquidação entre as duas gigantes:
- Polymarket (Liquidado: SIM): A plataforma recorreu ao seu sistema descentralizado de “oráculo” e considerou que a presença física e a participação durante a janela do intervalo configuraram uma “aparição”. Assim, os detentores de “Sim” receberam pagamento integral.
- Kalshi (Regra 6.3): A exchange apontou ambiguidade sobre se um cameo apenas dançando atendia à definição técnica de “performance”. Em seguida, suspendeu o mercado e aplicou uma liquidação de emergência.
Posição oficial da Kalshi
Em comunicado que surpreendeu os traders, a Kalshi invocou a Regra 6.3(c) para contornar um resultado binário de vitória ou derrota. Em vez disso, a exchange liquidou o mercado pelo último preço negociado antes da suspensão: US$ 0,26 para “Sim” e US$ 0,74 para “Não”. Na prática, a medida funcionou como um reembolso parcial, e não como um pagamento. Além disso, a Kalshi sustentou que suas regras exigem canto visível ou execução de instrumento para caracterizar performance.
A queixa à CFTC
Diante da divergência, os envolvidos protocolaram uma reclamação formal na CFTC. O documento destaca, sobretudo:
- Liquidação arbitrária: críticos afirmam que a Kalshi usou a Regra 6.3 para evitar uma perda binária para os detentores de “Não”, apesar de um evento visual claro.
- Integridade do mercado: a petição questiona se regras excessivamente técnicas servem para eventos de entretenimento subjetivos.
| Kalshi (Regulado) | Polymarket (Decentralized) | |
| Resultado final | Reembolso parcial (US$0,26/US$0,74) | Pagamento total (SIM) |
| Lógica | Regra 6.3(c) / ambiguidade técnica | Consenso social e presença visual |
| Regulação | DCM regulada pela CFTC | Descentralizada, foco fora dos EUA |
Declaração oficial da Kalshi
A Kalshi publicou a seguinte nota sobre a decisão:
“Devido à ambiguidade sobre se a presença de Cardi B no show do intervalo do Super Bowl de 2026 constituiu uma ‘performance’ qualificada, a Kalshi invoca a Regra 6.3(c) para liquidar este mercado ao último preço negociado antes da pausa. Esses preços são US$ 0,26 para ‘Sim’ e US$ 0,74 para ‘Não’. Além disso, conforme as regras completas da Kalshi, celebridades que dançaram ao fundo, sem cantar visivelmente ou tocar instrumento, não ‘performaram’ para fins do contrato.”
Por que isso importa para a indústria
Isso não se resume a um show de intervalo; na verdade, funciona como um teste de estresse para o futuro dos contratos de eventos. Ao pagar com base nos preços pré-pausa, a Kalshi reconhece, na prática, que suas próprias regras não cobriram um cenário com uma superstar que dançou sem cantar. Além disso, a disputa surge num momento delicado para a exchange, que enfrenta batalhas legais em vários estados sobre a oferta de “contratos de eventos” ligados a esportes, alegando preempção federal sobre leis estaduais de jogos.
Por fim, os traders encaram um novo tipo de “risco de exchange”. Agora, não basta prever o evento; é preciso antecipar se a plataforma manterá a promessa binária ou recorrerá às letras miúdas quando a música parar.
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Jornalista com mestrado em Jornalismo e experiência na cobertura de gaming, tecnologia e inovação digital. Atua na produção de conteúdos analíticos e informativos sobre a indústria de jogos, plataformas digitais e tendências do entretenimento online, com foco em credibilidade, clareza e responsabilidade editorial.