Evento da ESPM no Brasil: setor de jogos de azar dividido entre jogadores ‘sérios’, ‘oportunistas’ e operadores ‘nocivos’

Pontos-chave:
– A ESPM São Paulo organizou um painel sobre proteção do consumidor em apostas com reguladores, operadoras e especialistas jurídicos
– Palestrantes destacaram os desafios dos atrasos na regulamentação, publicidade responsável e endividamento do consumidor
– Foram feitas chamadas para responsabilizar a operadora e melhorar a educação financeira dos consumidores
O Departamento Jurídico da ESPM São Paulo, prestigiada universidade de comunicação, em parceria com o Instituto Brasileiro de Educação, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e o escritório de advocacia Vezzi Lapolla, realizou um evento sobre proteção ao consumidor nas apostas.
Chamada de Apostas e Proteção ao Consumidor: Desafios e Perspectivas, a ideia era examinar os desafios de proteger os consumidores no mercado de apostas em expansão e discuti-lo com os estudantes.
O painel de abertura, Consumidor no Ambiente de Apostas, reuniu representantes governamentais, da indústria e legais.
Os participantes incluíram Regis Dudena, Secretário de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda do Brasil; Gustavo Godinho, DPO e Consultor Jurídico da Blaze e Laura Morganti, Diretora de Relações com o Consumidor da BetBoom.
A discussão foi moderada pelo professor Eric Hadmann Jasper, do IDP, que anteriormente atuou no Ministério da Justiça do Brasil em funções relacionadas à concorrência, proteção ao consumidor e regulamentação.
Os palestrantes descreveram como a ausência de uma regulamentação clara nos primeiros anos do mercado brasileiro levou as operadoras a divergir em três grupos: “atores sérios, oportunistas e aqueles que operam fora da lei, os prejudiciais”, de acordo com Dudena.
Ele observou que, embora o direito do consumidor sempre tenha estado em vigor, “havia uma percepção de que não havia regras”, o que prejudicou a confiança no setor.
Morganti enfatizou a importância da comunicação com os consumidores e alertou que a proibição total de publicidade pode fortalecer as empresas ilegais.
Godinho então comparou operadoras mal regulamentadas a “gremlins”, argumentando que elas ressurgem e se multiplicam em novas plataformas sem supervisão transparente.
É bom saber: o SPA do Brasil está trabalhando para promover a criação de um Sistema Nacional de Apostas
O debate também abordou o endividamento. Godinho apontou a necessidade de alinhamento entre processos, sistemas e educação, enquanto Morganti destacou a necessidade de uma maior alfabetização financeira entre os consumidores brasileiros.
Dudena também acrescentou que a responsabilidade regulatória é das operadoras, incluindo o fornecimento de ferramentas de exclusão e limites de depósito: “Não existe jogo responsável sem a responsabilidade do operador. ”
Falando exclusivamente à Gaming America após o painel, o moderador Professor Jasper concluiu: “O mais importante é ter um debate científico imparcial, baseado em dados, onde os direitos do consumidor e os mercados regulamentados possam convergir em defesa do consumidor. ”
De fato, o sentimento do professor Jasper é ecoado por muitos no mundo do jogo. A pergunta de um bilhão de reais é: a imparcialidade pode realmente ser alcançada na regulamentação do jogo — de qualquer maneira?