Brasil considera imposto retroativo sobre operadoras de apostas

A proposta teria como alvo empresas de apostas que operavam no Brasil antes da regulamentação do setor entrar em vigor.
Pontos-chave:
– O Ministério das Finanças do Brasil está avaliando um imposto retroativo sobre operadores de apostas no valor de BR12,6 bilhões ($2,21 bilhões)
– Cerca de 135 operadoras podem ser afetadas com pagamentos parcelados em consideração
– O debate reflete as discussões atuais em outras jurisdições, como o Reino Unido, sobre aumentos de impostos no setor de apostas
O governo federal do Brasil está avaliando uma proposta para cobrar retroativamente os operadores de apostas esportivas pelo período anterior à regulamentação das apostas com probabilidades fixas no país.
O Ministério da Fazenda confirmou que a medida está sob análise de um grupo de trabalho formado pela Receita Federal Nacional e pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).
Os grupos estão analisando como aplicar o imposto, que pode chegar a BR12,6 bilhões ($2,21 bilhões), a cerca de 135 empresas que supostamente operavam no Brasil antes da regulamentação do setor.
O pagamento em parcelas é uma opção que está sendo discutida.
O principal secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, disse aos legisladores durante a CPI das Apostas do Brasil que as empresas que tiveram “presença material” e geraram receita no Brasil antes da regulamentação deveriam pagar impostos atrasados.
O ministro das Finanças do Brasil, Fernando Haddad, foi franco em suas críticas às empresas de apostas, dizendo que mais de BR40 bilhões em impostos não foram pagos durante os anos sem regulamentação.
É bom saber: Enquanto isso, o Congresso brasileiro está debatendo uma medida provisória para aumentar a alíquota do imposto sobre apostas com probabilidades fixas de 12% para 18%
A discussão tem paralelos globais, já que governos de outros mercados, como o Reino Unido, consideraram novos ou aumentados impostos sobre jogos de azar para aumentar as receitas públicas, causando debates sobre o potencial impacto econômico sobre os operadores regulamentados e a resistência dos representantes do setor.
Lá, os pedidos por taxas mais altas foram formulados como uma forma de levantar fundos públicos, mas os opositores alertam que correm o risco de minar um mercado regulamentado que já contribui com receitas fiscais e empregos significativos.
A preocupação é que o aumento possa reduzir o investimento, limitar os orçamentos de marketing e direcionar os consumidores para operadoras não licenciadas, potencialmente reduzindo a base tributária geral.
Esses argumentos refletem os pontos levantados pelas partes interessadas brasileiras, que alertam que impostos retroativos ou nitidamente mais altos podem ter efeitos não intencionais na estabilidade do mercado.