Brasil: Comitê da Câmara acelera projeto de lei para aumentar impostos sobre apostas online

O Comitê de Finanças e Tributação do Brasil (CFT) da Câmara dos Deputados aprovou um pedido urgente para o projeto de lei que aumenta a alíquota dos operadores de apostas online de 12% para 24%.
A medida permite que a proposta, central no plano de recuperação fiscal do governo, ignore outros comitês e vá diretamente para a votação do plenário.
De acordo com o presidente da CFT, Rogério Correia, o pedido de urgência foi estratégico, já que o comitê só pode indicar dois projetos por ano para tratamento acelerado.
“Reunimos 34 assinaturas de membros de todos os partidos, o que mostra a força desse debate”, disse ele.
O projeto de lei, de autoria do deputado Lindbergh Farias e apoiado por toda a bancada do partido, busca emendar a lei que regulamenta as apostas com cotações fixas.
Ele dobra a participação pública na receita bruta de jogos, mantendo 76% dos custos operacionais das operadoras e aloca os 24% restantes para programas governamentais, metade para saúde pública e metade para outras áreas sociais designadas.
Farias argumentou que a taxa atual de 12% do Brasil está muito abaixo dos padrões internacionais. “Na França, são 33%, na Itália 20%. Aqui, podemos ir muito mais longe”, disse ele.
O governo espera que a medida não apenas aumente as receitas públicas, mas também ajude a mitigar os danos relacionados ao jogo, incluindo dependência e dívidas entre populações vulneráveis.
O ministro das Finanças, Fernando Haddad, confirmou que o governo enviará dois novos projetos de lei ao Congresso, um com foco no aumento da receita por meio da tributação de apostas, fintech e pessoas de alta renda, e outro visando o controle de gastos.
Com a urgência concedida, a decisão final agora cabe ao presidente da Câmara, Hugo Motta, que deve agendar uma votação plenária nos próximos dias.