AGU do Brasil apoia o controle federal sobre apostas; Suprema Corte analisa loterias municipais

Pontos-chave:
– A AGU apóia um caso da Suprema Corte com o objetivo de bloquear as leis de apostas aprovadas por vários municípios
– As iniciativas municipais de apostas são descritas como inconstitucionais e representam um risco para a supervisão federal e a proteção dos jogadores
A Procuradoria Geral do Brasil (AGU) apoiou formalmente uma contestação legal para bloquear dezenas de leis municipais que autorizam operações locais de apostas e loterias. Em seu parecer submetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), a AGU declarou que os municípios não têm autoridade constitucional para criar ou regular sistemas de apostas com probabilidades fixas, chamando tais ações de violação direta da lei federal.
De acordo com a AGU, as leis locais específicas estão “extrapolando seus limites legais” ao autorizar sistemas de apostas, algumas até mesmo fazendo parcerias com empresas privadas não aprovadas pelo Secretário Brasileiro de Prêmios e Apostas.
A AGU afirma que somente a União pode legislar sistemas de apostas e operar loterias com estados individuais. Os municípios, sob essa interpretação, não estão autorizados a emitir licenças, lançar plataformas ou criar produtos com probabilidades fixas, especialmente on-line.
O documento também questiona a praticidade da supervisão, observando que mais de 5.000 municípios operando seus próprios serviços de apostas criariam caos regulatório e arriscariam danos públicos. A AGU sinalizou preocupações, incluindo lavagem de dinheiro, vício em jogos de azar e promoção de operadores não verificados.
É bom saber: recentemente, um senador pediu mais tempo para concluir o Inquérito Parlamentar Brasileiro sobre apostas, mencionando atrasos, testemunhas desaparecidas e falta de quórum como obstáculos
O caso usa como exemplo uma pequena cidade no Rio Grande do Norte com menos de 2.400 residentes e 38 empresas de apostas licenciadas, o equivalente a uma empresa de apostas para cada 62 habitantes na região. Isso, de acordo com a AGU, é uma óbvia distorção de escala e legalidade.
Mencionando a supremacia federal e a segurança dos jogadores, a AGU pediu que todas as leis locais de apostas mencionadas no processo fossem suspensas. Se aceita, a decisão do STF poderá remodelar significativamente o equilíbrio de poder entre a regulamentação nacional e local no setor de apostas do Brasil.