Agência de telecomunicações do Brasil destaca falta de estrutura na regulamentação de apostas antecipadas

Presidente da Anatel acredita que o Brasil precisa de mecanismos de consulta pública para regular efetivamente as apostas.
Pontos-chave:
– A Anatel é a agência nacional de telecomunicações do Brasil e tem a tarefa de derrubar sites de apostas não licenciados quando notificada pelo governo
– A regulamentação brasileira do setor de apostas ainda é descrita como “imatura” pelo chefe da Anatel
– Ele diz que o Ministério da Fazenda atualmente toma decisões unilateralmente, sem processos institucionais robustos
A estrutura regulatória do Brasil para a indústria de apostas continua subdesenvolvida, de acordo com Carlos Baigorri, presidente da Anatel, agência nacional de telecomunicações do Brasil. Falando em um seminário jurídico organizado pela Ordem dos Advogados do Brasil em Madri, Baigorri criticou a falta de governança institucional no setor.
Ele comparou a configuração atual com setores mais estabelecidos no país, como eletricidade e telecomunicações, que operam sob agências independentes, consultas públicas e estruturas regulatórias formais. Em contraste, as decisões no setor de apostas ainda estão sendo tomadas por meio de decretos ministeriais simples.
“O modelo de governança ainda é, digamos, muito desestruturado. Falta uma agência dedicada, funcionários públicos de carreira e qualquer processo de impacto regulatório ou consulta pública”, disse Baigorri.
É bom saber: atualmente, o Ministério da Fazenda do Brasil é responsável por definir políticas e monitorar as operações de apostas. Também é responsável por conceder autorizações e impor a conformidade, incluindo medidas de combate à lavagem de dinheiro e de proteção ao consumidor
No entanto, Baigorri ressaltou que o papel da Anatel é limitado. “Quando o Secretário de Prêmios e Apostas identifica operadores ilegais, eles nos notificam, o que podemos fazer é tirar esses sites do ar”, explicou.
Com a expansão do mercado e o crescimento das preocupações com os operadores ilegais, as observações de Baigorri ressaltam a necessidade de uma arquitetura regulatória mais robusta e transparente que inclua agências dedicadas e uma estrutura mais clara. Isso ocorre quando o inquérito do Senado do Brasil sobre a indústria de apostas foi estendido.