Havaí reabre debate sobre jogos de azar com novo grupo de trabalho
O estado do Havaí reabriu o debate sobre jogos de azar após um novo grupo de trabalho iniciar suas atividades nesta semana. Com isso, o governo reacendeu uma discussão antiga e profundamente dividida sobre a possibilidade de avançar rumo à legalização.
Grupo destaca o grande mercado ilegal de apostas no Havaí
O Grupo de Trabalho sobre Turismo e Jogos surgiu depois que parlamentares aprovaram, por margem estreita, uma resolução no ano passado, apesar da forte oposição popular. O painel reúne 24 integrantes, incluindo legisladores estaduais, autoridades policiais, líderes de agências, acadêmicos e representantes da indústria de jogos.
Além disso, o grupo pretende cumprir três objetivos principais. Primeiro, analisar os custos e benefícios da legalização. Em seguida, examinar modelos adotados em outros estados. Por fim, apresentar recomendações ao Legislativo até o final deste ano.
Embora o grupo não tenha a função direta de legalizar as apostas, críticos afirmam que ele prepara o terreno para isso.

Durante a primeira reunião, os participantes concentraram grande parte da discussão no mercado ilegal existente no estado. Mike Lambert, diretor do Departamento Estadual de Aplicação da Lei, informou que entre US$ 700 milhões e US$ 800 milhões circulam anualmente em operações ilegais.
Segundo ele, essas atividades se relacionam, em grande parte, a salas de jogos clandestinas, que frequentemente mantêm vínculos com tráfico de drogas, roubos e outros crimes.
Além disso, autoridades do Departamento de Polícia de Honolulu estimam que cerca de 50 salas ilegais funcionam em Oahu a qualquer momento. Conforme a polícia, as autoridades fecham esses locais regularmente. No entanto, eles acabam reabrindo em outros endereços.
O deputado Greggor Ilagan, copresidente do grupo, apresentou a questão como uma escolha entre ignorar o mercado ilegal ou tentar administrá-lo de forma mais eficiente. Dessa forma, ele defendeu que o painel pode ajudar a reduzir danos e melhorar a fiscalização, independentemente da legalização.
Ideias de apostas em estádios e temor da legalização reacendem oposição
Além do mercado ilegal, o grupo também analisará propostas mais controversas. Entre elas, está a possibilidade de vincular apostas ao futuro Distrito de Entretenimento do Novo Estádio Aloha, em Halawa.
Autoridades responsáveis pela reconstrução do estádio reconhecem que grandes projetos desse tipo costumam exigir fontes adicionais de receita para manter a viabilidade financeira. Ainda assim, o governo não endossou nenhuma proposta específica.
Enquanto isso, a oposição ao grupo segue forte. O promotor de Honolulu, Steve Alm, alertou repetidamente que abrir caminho para a legalização causaria mais prejuízos do que benefícios. Segundo ele, a ilegalidade funciona como fator de desestímulo. Em contraste, a legalização ampliaria a participação em vez de eliminar as salas clandestinas.
“Quando promovemos o jogo legalizado e damos a ele um selo de aprovação social, muitas pessoas que hoje se afastam passam a participar”, afirmou Alm.
Atualmente, o Havaí é um dos dois únicos estados dos Estados Unidos, junto com Utah, que não permitem nenhum tipo de jogo legalizado. No ano passado, parlamentares quase aprovaram as apostas esportivas. No entanto, as negociações fracassaram por causa de divergências sobre impostos e regras.
O grupo deve se reunir mensalmente e apresentar suas conclusões antes da sessão legislativa de 2027. Portanto, ainda permanece em aberto se o trabalho levará à legalização ou se reforçará a proibição histórica do estado.
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Jornalista com mestrado em Jornalismo e experiência na cobertura de gaming, tecnologia e inovação digital. Atua na produção de conteúdos analíticos e informativos sobre a indústria de jogos, plataformas digitais e tendências do entretenimento online, com foco em credibilidade, clareza e responsabilidade editorial.