Casa Branca bloqueia Kalshi e Polymarket no Wi-Fi oficial
Os mercados de previsão foram criados para antecipar o futuro, não para manipular o presente. No entanto, à medida que plataformas como Kalshi e Polymarket avançam no cenário político, a fronteira entre informação, influência e exploração torna-se cada vez mais difícil de ignorar.
Atualmente, essas plataformas permitem apostas sobre eventos políticos em tempo real. Como resultado, surgem preocupações sobre o uso estratégico dessas ferramentas para obter vantagens indevidas dentro do próprio sistema governamental.
Kalshi e Polymarket são bloqueados discretamente nas redes da Casa Branca e do Congresso
Essa tensão já se reflete dentro de Washington. A Casa Branca e a Câmara dos Representantes bloquearam o acesso ao Kalshi e ao Polymarket em suas redes Wi-Fi oficiais. A medida, embora discreta, busca impedir apostas em tempo real sobre coletivas de imprensa, discursos e atividades do governo. Em contraste, a rede do Senado permanece sem restrições.
Nos últimos meses, os mercados de previsão passaram a focar em detalhes cada vez menores da política americana. Atualmente, usuários não apostam apenas em eleições ou decisões políticas. Eles também especulam sobre a duração de coletivas, horários de início e até sobre palavras específicas que autoridades podem mencionar.
Existem, por exemplo, mercados ligados a termos como “ICE”, “Biden” e “fake news”, que podem ser incluídos ou evitados estrategicamente. Esse cenário facilita interferências sutis no comportamento de autoridades.
No início do mês, a secretária de imprensa Karoline Leavitt encerrou uma coletiva segundos antes de ultrapassar 65 minutos. No mercado, a opção “acima” tinha 98% de probabilidade. Mesmo assim, o tempo ficou abaixo. O vídeo viralizou rapidamente, e críticos acusaram o sistema de favorecer práticas semelhantes ao uso de informação privilegiada.
Além disso, a preocupação aumentou após um usuário anônimo do Polymarket lucrar mais de US$ 400 mil ao prever corretamente a queda do presidente venezuelano Nicolás Maduro horas antes da divulgação pública. O caso gerou alerta no Congresso e reforçou o debate sobre vazamentos de informação.
Medo de uso de informação privilegiada cresce com foco no governo
As empresas responsáveis pelos mercados de previsão afirmam que não operam como casas de apostas. A Kalshi se apresenta como uma bolsa regulada de contratos futuros, argumentando que os usuários negociam contratos, não apostas.
Já a Polymarket foi além. Seus líderes sugeriram que o uso de informações privilegiadas pode, em alguns casos, aumentar a precisão dos mercados. No entanto, esse argumento ampliou o ceticismo entre reguladores e especialistas em ética.
Atualmente, regras federais já proíbem funcionários públicos de apostar em propriedades governamentais ou usar informações confidenciais para ganho pessoal. Mesmo assim, os mercados de previsão operam em uma zona cinzenta. Eles contestam na Justiça tentativas de enquadramento como plataformas de apostas esportivas.
Diante disso, parlamentares propuseram leis para proibir servidores e assessores de negociar contratos ligados à atividade governamental. Ainda assim, especialistas afirmam que o principal desafio está na fiscalização, não apenas na criação de novas normas.
Jornalista com mestrado em Jornalismo e experiência na cobertura de gaming, tecnologia e inovação digital. Atua na produção de conteúdos analíticos e informativos sobre a indústria de jogos, plataformas digitais e tendências do entretenimento online, com foco em credibilidade, clareza e responsabilidade editorial.