Gol próprio de relações públicas? ANJL levanta preocupações sobre a proibição de apostas na previdência social no Brasil

Pontos-chave:
– ANJL diz que a proibição automática excede o que o Supremo Tribunal decidiu sobre benefícios sociais e apostas
– A associação alerta que a medida pode levar os jogadores a plataformas ilegais
A Associação Nacional Brasileira de Jogos e Loterias (ANJL) alertou que o sistema recém-anunciado do Brasil para bloquear automaticamente os beneficiários do Bolsa Família e do BPC de apostar online pode ser legalmente falho.
Em nota técnica enviada à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), a ANJL argumentou que o Supremo Tribunal Federal proibia apenas o uso de benefícios sociais para jogos de azar, e não a participação de beneficiários com outras fontes de renda.
A ANJL destacou três riscos principais: legalidade democrática, uma vez que a restrição carece de respaldo legal claro; a possibilidade de alimentar o mercado ilegal afastando os jogadores das plataformas regulamentadas; e desafios técnicos de implementar a nova regra enquanto o setor ainda está se adaptando à estrutura regulatória do Brasil.
A associação definiu sua posição como parte de seu compromisso com uma regulamentação equilibrada que protege grupos vulneráveis e mantém as liberdades individuais.
Essa posição contrasta com o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que apoiou firmemente a medida do governo, argumentando que os programas sociais existem para garantir as necessidades básicas e nunca devem ser desviados para o jogo.
É bom saber: a ANJL recentemente rejeitou uma ação judicial de 53 milhões de dólares, chamando-a de “infundada e desproporcional”. ”
Do ponto de vista do mercado, ambos os argumentos têm peso. O jogo é, em última análise, uma forma de entretenimento pago e, idealmente, os consumidores devem ter autonomia na forma como gastam seu dinheiro.
No entanto, é difícil conciliar a noção de verdadeira liberdade de escolha quando indivíduos que dependem de programas de subsistência podem ser atraídos para atividades que acarretam riscos financeiros e possíveis danos.
Em termos gerais, essa pode ser uma meta própria de relações públicas do IBJR. Parece que associações mais experientes, como as do Reino Unido e dos EUA, não argumentariam contra — dadas suas implicações sociais e morais.