Ministérios brasileiros defendem transparência nas apostas e retorno ao financiamento esportivo

Pontos-chave:
– Ministério do Esporte defendeu um comitê permanente de transparência com o Ministério da Fazenda
– Autoridades disseram que as empresas de apostas “têm uma dívida social” com o esporte devido à sua dependência do futebol
– Órgãos esportivos levantaram preocupações com a falta de clareza na forma como os fundos são alocados
O debate sobre como as receitas de apostas com probabilidades fixas são canalizadas para o esporte brasileiro voltou aos holofotes.
Representantes do Ministério do Esporte, do Ministério das Finanças e do Subcomitê Parlamentar de Regulamentação de Apostas Esportivas discutiram os desafios relacionados à transparência e ao financiamento.
Falando perante a Câmara dos Deputados, Giovanni Rocco, Secretário Nacional de Apostas Esportivas e Desenvolvimento Econômico do Ministério do Esporte, pediu a criação de um comitê permanente de transparência entre os Ministérios do Esporte e das Finanças para garantir clareza na forma como os fundos das apostas são distribuídos.
Rocco reconheceu a forte dependência do futebol brasileiro em patrocínios de apostas, comentando que “nos estágios iniciais, devido à falta de supervisão, as empresas de apostas carregavam toda a carga de investimento no futebol brasileiro. ”
“Hoje, o futebol é totalmente dependente desses recursos, inflados em pelo menos cinco vezes. É por isso que esse debate deve ser realizado com responsabilidade, para que as discussões publicitárias sejam maduras e o esporte não seja prejudicado”, acrescentou.
É bom saber: a Receita Federal do Brasil redirecionou recentemente a receita tributária de loterias e apostas para iniciativas de saúde
A Confederação Brasileira de Esportes Escolares também expressou preocupação quando seu presidente, Antônio Hora, disse que, embora o esporte de alto desempenho inspire ídolos, iniciativas populares também precisam de financiamento.
“Nós, entidades privadas, conseguimos receber recursos, mas não temos garantias de que esses valores estejam corretos, dada a falta de transparência mencionada aqui”, observou Hora.
Rocco argumentou ainda que as empresas de apostas têm uma “dívida social” com o esporte brasileiro, tendo-a aproveitado para ganhar visibilidade pública. Ele disse que os recursos devem ser alocados de forma a compensar os danos associados ao jogo.