Regulador brasileiro alerta que o aumento dos impostos sobre apostas não resolverá os problemas fiscais do país

De acordo com o Instituto, impostos mais altos sobre apostas esportivas podem levar os apostadores a mercados ilegais.
Pontos-chave
– Fernando Vieira, presidente do IBJR, disse que a verdadeira solução é combater o mercado clandestino, que responde por até 51% das apostas no Brasil
– O mercado ilegal gera cerca de BR10,8 bilhões em receita perdida
– Vieira enfatizou que o aumento de impostos apenas empurra os jogadores para o mercado clandestino, onde não há regras ou proteções, prejudicando os consumidores
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) disse ao Senado que o aumento dos impostos sobre apostas não resolverá os problemas fiscais do Brasil e continuará empurrando os apostadores para mercados ilegais.
Na audiência pública de ontem, Fernando Vieira, presidente da entidade, afirmou que a verdadeira solução está em enfrentar o mercado clandestino, que responde por metade de todas as apostas no país.
A audiência, realizada pela Comissão Mista do Senado que analisa a Medida Provisória 1.303/25, considerou o aumento da carga tributária sobre apostas esportivas. Segundo ele, tal movimento poderia “minar um mercado recém-regulamentado e levar milhões de apostadores à ilegalidade. ”
Ele acrescentou: “Há uma crença de que o setor de apostas pode cobrir sozinho as contas fiscais do Brasil. Isso não é realista. A receita combinada das cinco maiores empresas brasileiras é quase 50 vezes maior do que a receita de todo o mercado de apostas licenciadas.
“É desproporcional e representa uma completa quebra de confiança no regulador, considerando que o mercado está regulado há apenas oito meses. ”
Ele esclareceu que as empresas de apostas não pagam apenas 12% em impostos, já que esse valor corresponde apenas a uma contribuição específica. Segundo ele, ao adicionar os impostos sobre o consumo, a carga já sobe para 28% com a Medida Provisória e ultrapassa 40% com a reforma tributária, sem incluir o imposto seletivo e o imposto de renda das empresas. Essa estrutura supostamente prejudica a sustentabilidade, prejudicando os operadores legais e impulsionando o mercado subterrâneo.
Hoje, o mercado clandestino já representa até 51% das apostas no Brasil, movimentando cerca de BR40 bilhões ($7,4 bilhões) por ano e gerando uma perda estimada de BR10,8 bilhões em receita.
É bom saber: o IBRJ disse que o principal desafio foi o crescente mercado de apostas ilegais, que causou grandes perdas de receita
Ele acrescentou: “Para cada 5 pontos percentuais de formalização, o Brasil coleta um adicional de BR1 bilhão. A forma mais eficiente de aumentar a receita é combater o jogo ilegal, não sufocar quem está regulamentado e paga impostos”, disse Vieira.
Segundo ele, a consequência direta de sobrecarregar o setor é expor ainda mais os apostadores.
Ele concluiu: “As pessoas não vão parar de jogar, mas no mercado clandestino, não há regras, auditorias, proteção. As externalidades aumentam e quem perde é o consumidor. Nosso apelo é claro: a solução está em combater a ilegalidade, consolidar o mercado regulado, arrecadar receita com eficiência e proteger o apostador. ”