Polymarket processa Massachusetts, nos EUA, para travar repressão a mercados de previsão
A Polymarket entrou com uma ação federal para impedir que o estado de Massachusetts aplique leis estaduais de jogo contra a sua plataforma. Assim, o caso prepara um confronto decisivo sobre quem regula contratos baseados em eventos: o governo federal, por meio da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), ou as autoridades estaduais de jogo.
Principais destaques
A disputa: A Polymarket afirma que Massachusetts não tem autoridade para regular mercados de previsão.
O gatilho: A ação surge poucos dias depois de o estado obter uma liminar preliminar contra a Kalshi, ao classificar contratos desportivos como jogo não licenciado.
O que está em jogo: Se vencer, a Polymarket pode consolidar a CFTC como única autoridade sobre contratos baseados em eventos, retirando poder de supervisão dos estados.
Contexto do processo
A ofensiva jurídica intensificou a disputa sobre a legalidade dos mercados de previsão. No processo, a Polymarket pede que o tribunal federal impeça as autoridades de Massachusetts de aplicar sanções sob a legislação estadual de jogos.
Além disso, o pedido surge logo após Massachusetts convencer um tribunal estadual de que contratos de eventos com temática desportiva funcionam, na prática, como sportsbooks e, portanto, exigem licença segundo o regime de jogo local.
O argumento da preempção federal
A base central da ação é clara: a Polymarket sustenta que mercados de previsão não constituem apostas, mas sim contratos de commodities regulados exclusivamente pela CFTC.
Segundo a queixa, a interferência estadual entra em conflito direto com a lei federal e compromete a intenção do Congresso de centralizar a supervisão de mercados de derivativos.
Entre os principais argumentos apresentados, destacam-se:
- Dano irreparável: A aplicação das leis estaduais cria risco iminente de sanções civis e criminais, o que pode forçar a empresa a encerrar operações em Massachusetts.
- Supremacia federal: Permitir que cada estado regule contratos de eventos criaria um mosaico regulatório fragmentado, enfraquecendo a estrutura nacional.
- Precedente de Nevada: A empresa cita a atuação anterior da CFTC para bloquear restrições semelhantes impostas por Nevada como prova de que a jurisdição é federal, não estadual.
No processo, a Polymarket declara que busca “medidas declaratórias e liminares para impedir excesso ilegal do estado e preservar a integridade do regime regulatório federal”.
Uma batalha de definições
No centro da controvérsia está uma questão fundamental: mercados de previsão servem como ferramentas de descoberta de informação ou funcionam apenas como outra forma de aposta?
Como funcionam os mercados de previsão:
- Precificação: As cotas variam entre US$ 0,00 e US$ 1,00 conforme a oferta e procura.
- Lógica: O preço reflete a probabilidade estimada pelo mercado (por exemplo, US$ 0,60 indica 60% de chance).
- Liquidação: O contrato paga US$ 1,00 se o evento ocorrer e US$ 0,00 se não ocorrer.
As plataformas defendem que o modelo se assemelha a instrumentos de hedge e negociação de futuros. No entanto, a Massachusetts Gaming Commission (MGC) considera que a mecânica é indistinguível das apostas desportivas tradicionais. No ano passado, o órgão alertou operadores licenciados de que apenas apostas expressamente autorizadas pelo estado são legais, traçando uma linha dura contra contratos de eventos.
Impacto para a indústria
As consequências vão além de uma única empresa. Se a Polymarket vencer, a decisão pode limitar drasticamente a autoridade de reguladores estaduais em todo o país. Assim, mercados de previsão poderiam operar fora do modelo tradicional de licenciamento de sportsbooks, mesmo quando os contratos acompanham eventos desportivos.
Por ora, as autoridades de Massachusetts mantêm a posição. A MGC recusou comentar o novo processo e apontou para a vitória recente contra a Kalshi como prova de que a supervisão estadual permanece válida.
A ação judicial nomeia a procuradora-geral Andrea Campbell e o presidente da MGC, Jordan Maynard, como réus. Dessa forma, o caso prepara um teste histórico sobre quem controlará o futuro da negociação baseada em eventos nos Estados Unidos.America.
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Jornalista com mestrado em Jornalismo e experiência na cobertura de gaming, tecnologia e inovação digital. Atua na produção de conteúdos analíticos e informativos sobre a indústria de jogos, plataformas digitais e tendências do entretenimento online, com foco em credibilidade, clareza e responsabilidade editorial.