Argentina: O caso Coti Romero reacende o debate sobre promoções de jogos de azar com influenciadores

Pontos-chave:
– Apesar dos casos repetidos, os influenciadores que promovem sites de jogos de azar não licenciados na Argentina enfrentaram sanções mínimas
– A ausência de uma aplicação legal consistente transformou a promoção ilegal de jogos de azar em uma prática de baixo risco e alta recompensa que prejudica os operadores regulamentados
Coti Romero, influenciadora argentina e ex-concorrente do Gran Hermano, perdeu recentemente o acesso à sua conta no Instagram, supostamente devido à promoção de cassinos online não licenciados.
Romero disse à mídia local que ela inicialmente acreditava que o bloqueio era temporário, mas depois confirmou que sua conta havia sido permanentemente desativada. Ela disse: “Aprendi da maneira mais difícil; não vou mais fazer isso. ” Segundo ela, seu perfil, seguido por milhões, foi fundamental para suas parcerias de marca, apresentações ao vivo e trabalhos promocionais.
De acordo com relatos da imprensa, a suspensão ocorreu após várias reclamações relacionadas à publicidade de plataformas de apostas não autorizadas na Argentina. Embora Romero tenha alegado que ela não havia sido formalmente notificada de violações específicas, seu conteúdo incluía promoções para sites de jogos de azar que operam sem licenças no país.
O caso de Romero reflete o que aconteceu nos últimos meses com figuras importantes, incluindo Wanda Nara, L-Gante e outros influenciadores que foram denunciados publicamente por promover cassinos e sites de apostas ilegais.
Apesar disso, nenhum enfrentou consequências legais significativas. A maioria foi convidada a participar de um Acordo de Reparação promovido pela Promotoria Especializada em Jogos de Azar, uma medida amplamente vista como uma sanção leve, embora a lei argentina proíba explicitamente a publicidade para operadores não licenciados.
Essa falta de fiscalização criou um ambiente permissivo em que a verdadeira barreira vem das políticas de moderação de plataformas no Instagram ou no YouTube, enquanto a supervisão estadual permanece praticamente ausente.
É bom saber: uma influenciadora brasileira, Maria Vitória Lima, foi presa após supostamente ganhar milhões promovendo plataformas ilegais de jogos de azar
Especialistas jurídicos observam que estruturas regulatórias desatualizadas e a ausência de sanções exemplares transformaram a promoção ilegal de jogos de azar em uma atividade de baixo risco e alta recompensa para influenciadores, uma dinâmica que cria concorrência desleal e ameaça a integridade do setor regulamentado de jogos da Argentina.
A própria Romero reconheceu o risco: “Eu sabia que era errado e que estava assumindo um risco, mas era o que pagava mais, e eu tinha que me sustentar aqui em Buenos Aires”.
Sua admissão destaca uma falha sistêmica: quando a promoção ilegal paga melhor e a fiscalização permanece simbólica, as plataformas, e não as leis, acabam estabelecendo as regras no mercado de jogos da Argentina.
No entanto, a bússola moral dos influenciadores parece ressurgir quando eles são atingidos onde dói — talvez trabalhar em conjunto com empresas de mídia social para fechar contas possa ser uma forma eficaz de avançar para os reguladores de jogos de azar.