Brasil: Deputado propõe estratégia nacional para combater o vício do jogo

O líder do governo na Câmara dos Deputados do Brasil, José Guimarães, apresentou um projeto de lei que estabelece a “Estratégia Nacional para Combater o Vício em Jogos de Azar”, uma estrutura abrangente que visa abordar as crescentes preocupações em torno do jogo compulsivo.
A proposta busca criar políticas coordenadas entre operadoras, reguladores e redes de saúde pública, com foco na prevenção, detecção precoce e tratamento especializado.
De acordo com o projeto de lei, os operadores licenciados enfrentariam uma série de novas responsabilidades.
As plataformas seriam obrigadas a oferecer canais de denúncia dedicados, realizar testes comportamentais mensais durante a integração do cliente e excluir automaticamente os usuários que apresentassem sinais de comportamento compulsivo.
Os operadores também precisariam enviar mensagens semanais aos jogadores com lembretes sobre limites de perda, gerenciamento de riscos e práticas de jogo seguro.
A proposta inclui a proibição total de pagamentos com cartão de crédito para atividades de apostas, uma medida destinada a reduzir os gastos impulsivos e impedir que os jogadores acumulem dívidas com juros altos enquanto jogam.
O Ministério das Finanças teria a tarefa de regular as ferramentas de limite de gastos ativadas pelo usuário e também poderia impor restrições à publicidade, determinando os formatos, conteúdos, mídias e horários de transmissão permitidos para campanhas de apostas.
Além do nível do operador, a estratégia descreve uma resposta mais ampla de saúde pública. Ele exige campanhas nacionais de conscientização, alertas obrigatórios sobre os sinais do vício em jogos de azar e o desenvolvimento de vias de cuidado integradas para indivíduos afetados pelo jogo compulsivo.
O projeto também prevê novas iniciativas de treinamento para profissionais de saúde e assistência social, apoio à pesquisa científica e a criação de critérios oficiais para identificar fatores de risco comportamentais.
A medida também aborda mecanismos de autoexclusão, exigindo que plataformas online e locais de apostas físicas implementem ferramentas que permitam aos jogadores bloquear seu próprio acesso remotamente, o que se alinha às medidas recentes da Secretaria de Prêmios e Apostas.
Também estabelece regras para cooperação interinstitucional e financiamento de programas dedicados à prevenção, diagnóstico e tratamento.