Senadores americanos exigem estudo sobre o impacto de apostas esportivas legais nos jovens

Um grupo bipartidário de senadores dos EUA pede ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, da sigla em inglês) que estude como a rápida expansão das apostas esportivas legalizadas afeta jovens americanos. Os congressistas citam a falta de dados significativos sobre o comportamento dos jovens em relação ao jogo.
Senadores dos EUA querem saber o impacto da exposição dos jovens a apostas esportivas
Em carta enviada em 14 de janeiro ao diretor interino do CDC, Jim O’Neal, cinco senadores pediram à agência um estudo. Em resumo, querem pesquisar a exposição dos jovens às apostas esportivas. Ademais, pedem o acréscimo de perguntas relacionadas a jogo a uma pesquisa federal de saúde já existente.
Os senadores Katie Britt (R-Ala.) e Dick Durbin (D-Ill.) estão liderando a iniciativa, acompanhados pelos senadores Lindsey Graham (R-S.C.), Jeanne Shaheen (D-N.H.) e Brian Schatz (D-Hawaii).
A solicitação surge em um momento em que as apostas esportivas legais continuam a se espalhar por todo o país. Nos Estados Unidos, há casas de apostas online agora disponíveis em dezenas de estados.
Apesar desse crescimento, os legisladores afirmam que os formuladores de políticas e as famílias têm poucas informações concretas. Não sabem, por exemplo, sobre a frequência com que os menores apostam ou como eles acessam plataformas de apostas.
‘Desde a legalização das apostas esportivas nos Estados Unidos, há poucas pesquisas que examinam até que ponto os menores estão acessando plataformas de apostas esportivas’, escreveram os senadores, acrescentando que os poucos estudos existentes levantam sérias preocupações.
No centro do pedido está o Sistema de Vigilância de Comportamentos de Risco Juvenil (YRBSS) do CDC. Trata-se de uma pesquisa nacional que ocorre a cada dois anos para acompanhar os comportamentos relacionados à saúde entre alunos do ensino fundamental e médio.
Os senadores querem que o jogo, especificamente as apostas esportivas, seja adicionado à pesquisa. Assim, medir melhor as taxas de participação, exposição e danos potenciais.
Lacuna de dados antes de considerar novas regulamentações
Os legisladores apontaram para um estudo de 2024. Segundo o documento, pessoas que começam a jogar antes dos 18 anos têm 50% mais chances de desenvolver um problema com o jogo mais tarde na vida.
Os senadores também citaram dados de pesquisas indicando que um em cada seis pais afirma que não saberia se seu filho estivesse jogando.
Além das taxas de participação, os senadores solicitaram ao CDC que coletasse dados sobre como os menores estão fazendo apostas. Incluindo se eles estão acessando ilegalmente casas de apostas regulamentadas, usando operadores offshore ou explorando outras soluções alternativas.
Também solicitaram estimativas sobre os recursos necessários para expandir a pesquisa. Ademais de qualquer pesquisa existente sobre os impactos das apostas esportivas na saúde mental e comportamental dos jovens.
Notavelmente, a carta não propõe novas regulamentações ou restrições. Em vez disso, os senadores enquadraram a solicitação como um esforço para preencher uma grande lacuna. Só depois disso, os legisladores podem considerar salvaguardas adicionais.
Um problema também no Brasil
A preocupação dos senadores americanos também deveria ser dos parlamentares brasileiros. Uma pesquisa Datafolha de 2024 indica que 15% dos brasileiros afirmam já ter feito apostas esportivas online. Entre os jovens de 16 a 24 anos, esse percentual chega a cerca de 30%, o dobro da média nacional. Isso mesmo com a proibição legal para menores de 18 anos.
Outro levantamento do DataSenado, também de 2024, mostrou que mais de 22 milhões de brasileiros (13% da população com 16 anos ou mais) apostaram no último mês. A maioria desses apostadores são pessoas mais jovens (16-39 anos).
Na teoria, ao menos, o jovem brasileiro deveria ter mais proteção. A Lei nº 14.790/2023 (o marco regulatório das apostas, de 29 de dezembro de 2023) proíbe a participação de menores de 18 anos em bets.
A legislação reforça que a publicidade deve ser voltada ao público adulto e não direcionada a crianças ou adolescentes. A nova regulamentação exige que plataformas realizem verificação de identidade (KYC), incluindo CPF, documentação válida e processos de confirmação de idade. Tudo isso antes de permitir o cadastro e acesso a apostas.
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Formada em jornalismo pela Unicap-PE, escrevo sobre tecnologia blockchain e jogos há quatro anos. Tenho artigos publicados em Cointelegraph Jogos, Cryptonews Brasil e outros websites. Mas, antes de tudo isso, sou uma gamer old school que não perde uma oportunidade de desmarcar tudo para testar...