Estudo mostra que o transtorno do jogo afeta os sistemas de controle e recompensa do cérebro
Uma nova tese de doutorado de uma universidade finlandesa revelou que o transtorno do jogo altera as redes cerebrais de autocontrole e nas funções de recompensa do cérebro. O estudo fornece informações sobre por que algumas pessoas conseguem controlar seus hábitos de jogo, enquanto outras não.
Transtorno do jogo afeta a atividade cerebral e a sinalização química
O transtorno do jogo, também conhecido como vício em jogos de azar ou jogo compulsivo, é um padrão de comportamento viciante relacionado a apostas. Padrão este que causa danos ao jogador, segundo denição da Cleveland Clinic.
O transtorno de saúde mental afeta entre 1% e 2% dos adultos em todo o mundo. No entanto, apenas uma em cada dez pessoas com transtorno do jogo procura tratamento.
Assim, pessoas com transtorno do jogo e indivíduos saudáveis participaram do estudo. A estrutura cerebral, atividade cerebral e sinalização química foram monitoradas para os dois conjuntos de dados independentes.
A tese é do pesquisador de doutorado Albert Bellmunt Gil, da Universidade de Turku, na Finlândia. Gil estudou o ‘lobo frontal e o estriado, áreas do cérebro que regulam o autocontrole, a tomada de decisões e as funções de recompensa cerebral’. As informações são da News Medical Life Sciences.
Núcleo de recompensa cerebral importante é mais fraco do que o normal
Em resumo, os resultados mostraram que as conexões entre o córtex frontal e as regiões subcorticais do cérebro são mais fracas em indivíduos que sofrem de transtorno do jogo, em comparação com pessoas saudáveis.
‘Em particular, as conexões entre o córtex frontal dorsolateral e o núcleo accumbens — o núcleo cerebral chave para a recompensa — eram mais fracas do que o normal, o que pode tornar mais difícil parar de jogar quando surge o impulso’, disse Bellmunt Gil.
Pessoas com transtorno do jogo também apresentavam anormalidades estruturais cerebrais no circuito fronto-estriatal, o que pode representar uma vulnerabilidade subjacente ao desenvolvimento do transtorno do jogo ou ser causado pelo jogo excessivo a longo prazo.
Embora as descobertas relacionadas à função da serotonina e dos opióides sugiram que os medicamentos podem ser benéficos, são necessárias mais pesquisas com indivíduos com transtorno do jogo.
‘Nossos resultados mostram que o transtorno do jogo está associado a alterações mensuráveis nas áreas do cérebro que regulam o controle, a recompensa e os hábitos’, acrescentou Bellmunt Gil. ‘Compreender esses mecanismos cerebrais pode ajudar a reduzir o estigma e apoiar o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes.’
O vício em jogos de azar não é uma questão de força de vontade
O estudo da dissertação mostra que o transtorno do jogo está mais relacionado às mudanças na função e estrutura do cérebro. E menos na incapacidade dos indivíduos de controlar suas próprias ações ou emoções.
Compreender essas conexões interrompidas no cérebro pode ajudar a pavimentar o caminho para melhores estratégias de prevenção. Além de tratamentos mais eficazes para o transtorno do jogo.
Atualmente, não há medicamentos aprovados pela FDA para tratar o jogo compulsivo.
O transtorno do jogo (ludopatia) afeta cerca de 10,9 milhões de brasileiros (7,3% da população do país), com 1,4 milhão apresentando quadro grave.
A ajuda no Brasil inclui grupos de apoio como Jogadores Anônimos, tratamento no SUS (CAPS AD), além de novas iniciativas de atendimento gratuito e teleatendimento (previsto para 2026).
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