Brasil: Operadoras propõem acordo fiscal retroativo para evitar aumento de 24%

As empresas de apostas do Brasil estão pressionando o Congresso por uma alternativa ao plano do governo de dobrar sua alíquota de 12% para 24%, propondo, em vez disso, pagar impostos retroativos sobre operações anteriores.
A medida, que faz parte de um esforço do ministro das Finanças Fernando Haddad e do governo para aumentar as receitas fiscais do país após a recente expansão das isenções de imposto de renda para trabalhadores que ganham até BR5.000 ($930) por mês.
As operadoras estão oferecendo o que descrevem como uma “solução única”: um pagamento retroativo de impostos cobrindo os últimos cinco anos de operações como compensação por um menor aumento da alíquota de longo prazo, supostamente limitado a 15%.
A proposta, que agora circula nas discussões do governo e do Congresso, pode gerar uma receita imediata estimada em BR12,5 bilhões, de acordo com dados compilados por uma empresa privada de análise que rastreia empresas de apostas que operam legalmente.
Embora o Ministério das Finanças ainda não tenha se pronunciado, a ideia de tributação retroativa está no radar do governo há algum tempo.
Esse não é um tópico recente, pois, no início deste ano, o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, argumentou que as operadoras baseadas em jurisdições offshore, mas que operavam no Brasil antes da regulamentação, ainda tinham receita tributável e, portanto, devem impostos ao país.
“Porque, no passado, se eles tinham renda no Brasil, tinham volume de negócios e estavam de fato operando aqui, deviam impostos ao Brasil”, disse Barreirinhas na época.
Representantes do setor também reconhecem que a medida penalizaria operadores estabelecidos há muito tempo, mas a consideram um compromisso preferível à duplicação permanente de impostos.