Estudo da Argentina revela que 60% dos adolescentes estão expostos a apostas online

Seis em cada 10 estudantes do ensino médio na Argentina participaram diretamente ou foram expostos às apostas online, de acordo com uma pesquisa nacional conduzida pelo Observatório Humanitário da Cruz Roja Argentina e pelo Escritório Nacional de Coordenação da Juventude.
O estudo entrevistou 11.421 estudantes de 231 escolas em 16 províncias entre agosto e outubro de 2025. Ele descobriu que 16% dos entrevistados fizeram apostas sozinhos, enquanto 45% disseram que conheciam alguém que fez. A idade média do primeiro contato com plataformas de apostas foi entre 13 e 14 anos, com taxas de participação aumentando entre adolescentes mais velhos.
José Scioli, diretor do Observatório Humanitário da Cruz Roja Argentina, disse que a ampla disponibilidade de carteiras digitais e a exposição constante à publicidade são os principais fatores que facilitam o acesso às apostas on-line, independentemente de as plataformas serem legalmente autorizadas.
A influência dos pares foi identificada como o principal ponto de entrada para jogos de azar, com 57% dos que apostaram relatando que acessaram as plataformas pela primeira vez por meio de amigos. As carteiras digitais foram usadas por 83% dos apostadores adolescentes, enquanto 43% confiaram em intermediários para fazer apostas em seu nome.
A exposição publicitária permaneceu alta em toda a amostra, com mais de 70% dos entrevistados relatando encontros frequentes com promoções de jogos de azar, independentemente de terem participado de atividades de apostas. Ao mesmo tempo, a maioria disse que não conseguia distinguir entre plataformas legais e ilegais, e cerca de 80% relataram que os sistemas atuais de verificação de idade eram ineficazes.
O impacto do jogo na saúde mental também foi significativo entre os participantes. Daqueles que fizeram apostas, 79% reconheceram riscos de dependência, 69% relataram sintomas de ansiedade e 12% disseram ter contraído dívidas. Quase metade relatou distúrbios do sono e um declínio no desempenho acadêmico associado à atividade de jogo.
A pesquisa também destacou fortes diferenças de gênero: 24% dos estudantes do sexo masculino admitiram apostar em comparação com 8% das estudantes do sexo feminino, com os meninos também relatando maior frequência de participação. O ambiente familiar surgiu como um fator de risco adicional, com 40% dos apostadores adolescentes vivendo com adultos que também praticam jogos de azar.
O relatório recomendou um monitoramento mais rigoroso das plataformas de apostas, o bloqueio coordenado de sites ilegais, salvaguardas mais fortes em torno das carteiras digitais, regras mais rígidas sobre publicidade e promoções de influenciadores e a integração da alfabetização digital e da educação sobre riscos de jogos de azar nos currículos escolares.