Influenciador avalia o marketing de jogos de azar online na Argentina

Agustina Cabaleiro compartilha como as marcas de jogos de azar on-line abordam os influenciadores e como o setor lida com marketing e regulamentação.
Pontos-chave:
– Enquanto os sites legais oferecem negócios fixos, os ilegais pagam comissões de até 50% de participação na receita
– Alguns influenciadores recebem $200.000 para promoções e mais
– Os criadores usam DMs e postagens indiretas para cumprir as políticas da plataforma
Agustina Cabaleiro, especialista em marketing e influenciadora argentina conhecida por suas mentorias, compartilhou um vídeo do YouTube replicado em seu Instagram que explica como o marketing de jogos de azar on-line funciona na Argentina.
Ela distingue entre plataformas de jogos de azar online legais e ilegais. Os sites legais seguem as regulamentações estaduais, pagam impostos, oferecem programas de autoexclusão e exibem avisos sobre dependência e limites de idade. Eles usam domínios “.bet.ar” e mostram logotipos oficiais da loteria.
As plataformas ilegais, por outro lado, geralmente operam via WhatsApp com caixas informais e carecem de supervisão.
As abordagens de marketing entre esses dois tipos de plataformas diferem dramaticamente. Como explica Cabaleiro: “Os cassinos ilegais usam mensagens desesperadas focadas na salvação financeira, sugerindo que o jogo pode ajudar a pagar o material escolar das crianças ou as férias em família.
“Os cassinos legais, por sua vez, comercializam o jogo como atividade de entretenimento e lazer, posicionando-o como um passatempo divertido em vez de uma solução financeira.”
É bom saber: Agustina Cabaleiro, conhecida como @onlinemami_ no Instagram, tem 537.000 seguidores
O vídeo revela os significativos incentivos financeiros oferecidos aos influenciadores para promover jogos de azar. Os cassinos legais geralmente oferecem pagamentos fixos para pacotes de conteúdo. Em contraste, as plataformas ilegais usam modelos baseados em comissões, em que os influenciadores ganham uma porcentagem das perdas dos usuários, às vezes até 50% de participação na receita.
Segundo ela, esses valores de compensação são substanciais, com algumas ofertas chegando a $100.000 ou mais, excedendo em muito os negócios típicos de marcas. Ela cita a também influenciadora Luli González, que tem 1 milhão de seguidores e recebeu uma oferta de $200.000 de um cassino legal para uma promoção de jogos de azar.
O Ministério Público da Argentina tomou medidas regulatórias contra influenciadores que promovem jogos de azar ilegais, exigindo que eles publiquem vídeos de alerta sobre os perigos do jogo e os mantenham fixados em seus perfis por longos períodos.
Mas, para evitar as penalidades do Instagram por conteúdo de jogos de azar, os influenciadores desenvolveram táticas de evasão, usando métodos indiretos, como publicar histórias aparentemente não relacionadas e enviar links de jogos de azar por meio de mensagens diretas privadas em vez de postagens públicas.
Bônus: é bom saber: o Sports Betting Focus do Gambling Insider examinará o estado dos influenciadores nos EUA, Argentina e Brasil — com a publicação da revista em agosto
Cabaleiro contextualiza o marketing de jogos de azar dentro de desafios mais amplos da economia de criadores. Como ela explica: “Muitos criadores de conteúdo têm dificuldades financeiras, pois plataformas como o Twitch reduzem os pagamentos, tornando os patrocínios de jogos de azar com altos salários alternativas atraentes quando as parcerias tradicionais com marcas são incomuns”.
Ela critica a forma como marcas e agências buscam cada vez mais perfis homogêneos de influenciadores, deixando criadores com personalidades distintas em menos oportunidades de patrocínio, o que pode levá-los a parcerias de jogo lucrativas, mas problemáticas.
Finalmente, ela reconhece que gosta de jogar em cassinos pessoalmente, mas distingue entre diversão pessoal e incentivo ativo aos seguidores a apostar, optando por não promover jogos de azar, apesar dos substanciais incentivos financeiros envolvidos.